quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

António Braga é peremptório:
«NÃO DEFENDO NEGÓCIOS POLÍTICOS»

- Texto de Joaquim Martins Fernandes/DM e Alexandre Praça/RUM
- Imagens de Avelino Lima

O presidente da Assembleia Municipal de Braga, António Braga, assume-se como o socialista que reúne as condições para garantir ao partido a manutenção da presidência da autarquia bracarense. E revela-se confiante em que o projeto será sufragado maioritariamente pelos militantes e resultará numa candidatura vencedora às eleições autárquicas de 2013.
António Braga não esconde que a luta pelo poder no seio do seu partido está a gerar jogos de interesses, mas demarca-se do que classifica de «negócios políticos» entre os socialistas. E aponta o social-democrata Ricardo Rio como o contraponto da sua candidatura.

– Comenta-se no seio do PS/Braga que a atual luta interna começou com a corrida ao lugar de candidato a deputado, nas últimas legislativas. António Braga concorreu com Pedro Sousa, filho do vice-presidente da Câmara, Vítor Sousa, e essas eleições foram vistas como uma espécie de “primárias” para a corrida à Câmara...
– Aquilo que posso dizer é que foi um processo transparente e democrático. Eu fui candidato e venci essas eleições, mas não sou comentador político para estar, agora, a fazer leituras quanto a terem ou não sido “eleições primárias”.

– O ter vencido significa que é o favorito na corrida que também já assumiu à comissão política concelhia?
– Significa que, naquele momento, a Comissão Política entendeu que eu era a pessoa mais indicada para continuar a desempenhar as funções na lista de deputados do PS. Mas eu queria sublinhar que sempre fiz questão de ter sido votado, ao longo de todos os mandatos em que fui reconduzido. Não foi, portanto, um processo novo, embora também seja verdade que, anteriormente, não houve ninguém que se opusesse, no sentido de apresentar uma candidatura alternativa.

– Nessa disputa contou com o apoio do atual vereador Hugo Pires, que, entretanto, passou a apoiar o vice-presidente Vítor Sousa, seu principal opositor...
– Não tenho nenhuma reserva a que quem quer que seja se apresente como candidato à Comissão Política Concelhia e creio que isso enriquecerá o debate. Mas a minha relação é com o universo dos militantes do partido, a quem estou em condições de demonstrar que este projeto que eu lidero reúne as melhores condições para oferecer uma solução de vitória qualificada e de governabilidade do Município de Braga, que outros não terão. Queria deixar claro que nunca negociei nada com ninguém e tão pouco defendo que a alternância democrática se deva colocar na base de negócios políticos. Tenho, sim, a abertura para aceitar o contributo de todos e é isso que o movimento que lidero está a fazer, na perspetiva de dar ao partido as melhores soluções, na linha da “sucessão” de Mesquita Machado.

– Quando refere que é o melhor candidato do PS para ser candidato à Câmara, em 2013, está a incluir o vereador Hugo Pires?
 – Não incluo, nem excluo. Até ao momento, só eu me disponibilizei para ser o candidato a candidato do PS às eleições autárquicas de 2013. E a informação que eu tenho não me leva aí...

– Leva-o a Vítor Sousa ou também duvida que ele queira ser candidato?
– A nossa filosofia, quer programática, quer do movimento, reside em criar uma solução que não só garanta a continuidade do PS na governação do Município de Braga, mas que também possibilite o desenvolvimento de um projeto profícuo e que honre as potencialidades criadas pelo presidente Mesquita Machado. O projeto que lidero apenas se pode contrapor ao do candidato do PSD, Ricardo Rio, que é candidato há 10 anos e nunca foi bem sucedido. A contraparte da nossa iniciativa estará no PSD e não no PS, que fará as suas escolhas em tempo oportuno.

– A corrida à Câmara passa pelas eleições para a Concelhia. Se ganhar, terá a porta aberta para “suceder” a Mesquita Machado. Se perder, qual será o seu futuro político?
– A minha convicção é que estão criadas as condições para que o projeto que lidero seja sufragado maioritariamente pelos militantes e este movimento protagonize uma candidatura vencedora à Câmara Municipal de Braga.

[Esta entrevista conjunta ao "Diário do Minho" e à Rádio Universitária do Minho" foi editada a 7 de Janeiro na RUM e a 9 de Janeiro no "DM"].

ANTÓNIO BRAGA DEFENDE
ABERTURA DO PS À SOCIEDADE BRACARENSE

Texto de Joaquim Martins Fernandes e Alexandre Praça/RUM
Imagens de Avelino Lima

Depois de ter expresso, publicamente, a sua disponibilidade para suceder a Mesquita Machado, na corrida às Autárquicas de 2013, António Braga assume a necessidade de o partido avançar para um novo ciclo político. A via para a mudança que propõe passa pela entrega da liderança a novos protagonistas, pela abertura do partido à sociedade civil e pela rentabilização do legado de Mesquita Machado. A clarificação foi assumida numa entrevista conjunta ao “Diário do Minho” e à “Rádio Universitária do Minho”, em que o também candidato à Comissão Política Concelhia enfrentou as lutas internas e os acordos desfeitos, na disputa pelo poder no seio da Concelhia.

– Saiu da Câmara de Braga para a política nacional, num episódio que envolveu uma luta pela “sucessão” de Mesquita Machado com o então vice-presidente Nuno Alpoim. Agora regressa a Braga para disputar também com o actual vice-presidente o lugar de candidato do PS à Câmara Municipal de Braga, em substituição de Mesquita Machado...
- Essa é uma reflexão que não me cabe a mim. Mas queria sublinhar que nunca esteve em causa o meu apoio ao candidato do Partido Socialista, Mesquita Machado, que era o candidato natural do partido. Percebi que houve alguma especulação sobre essa questão [com o Nuno Alpoim], mas eu sempre apoiei a solução Mesquita Machado.

– Mas disse recentemente que Braga precisa de um novo ciclo político.
– Por imperativo legal, não é possível ao PS recandidatar Mesquita Machado. Esse imperativo é que exige um novo ciclo, que só é possível, porque as condições que foram criadas até hoje possibilitam esse avanço, que não pode deixar de ser associado ao tempo em que vivemos.

– Que é um tempo de forte crise...
– Sem dúvida. E isso obriga-nos a reestruturar, modernizar e reformar toda a estrutura do Estado. Acredito que este é o tempo de criarmos novas competências para os municípios, tendo em vista o avanço para um novo ciclo de políticas autárquicas que permitam responder com proximidade aos problemas que nos são colocados. É tempo de avançarmos com as matérias de descentralização, que temos vindo a discutir e a adiar desde há 37 anos.

– Refere-se à regionalização?ionalização está inscrita na Constituição da República Portuguesa, mas compreende-se que os diferentes momentos políticos não permitiram que fosse concretizada. O Poder Local já demonstrou que está apto a desempenhar outras competências e a agir junto das populações em diferentes áreas temáticas, da saúde à economia. Mas quando falo em
A reg
novo ciclo refiro-me também a usar bem os equipamentos que, ao longo de três décadas, foram construídos e bem por Mesquita Machado.

– Quem já está no terreno, como o vice-presidente Vítor Sousa, não estará em melhores condições para o fazer?
– O novo ciclo exige novos protagonistas. É assim que as realidades se processam. Braga é uma cidade e um concelho cujos limites não podem
ser traçados em nenhum tipo de fronteira. É a terceira cidade do país e é um concelho muito jovem e muito dinâmico, pelo que é importante criar novas perspetivas em áreas diferentes daquelas em que já deu provas de que faz e faz bem. O novo desafio tem de ser assumido por quem reúne
as condições para concretizar as novas dinâmicas de desenvolvimento. E justamente por isso é que me disponibilizei para liderar o novo ciclo político, após ter sido desafiado a liderar um movimento significativo que se criou no seio do PS de Braga.

– Mas foi criticado por ter colocado fora do partido o debate sobre o candidato à Câmara...
– Eu tenho uma visão do partido diferente da das pessoas que têm o direito de exprimirem essas opiniões que refere. Acho que o PS será tanto mais credível, quanto mais transparente e quanto maior for a capacidade de projeção externa das suas ideias, dos seus projetos e dos seus protagonistas. Acredito que o partido só tem a ganhar abrindo-se à sociedade, ouvindo-a e recebendo os contributos que ela lhe possa dar. Mas para a sociedade contribuir, precisa de conhecer os projetos e as ideias. No caso vertente, as ideias e os projetos do movimento alargado que viu em mim o possível candidato do PS à Câmara de Braga nas eleições autárquicas do próximo ano.

– O PS de Braga deve seguir esse caminho?
– O PS bracarense tem de cumprir os seus estatutos e eu não tenho nenhuma ética particular. O facto de se dar notícia externa do que está a ocorrer dentro do partido é uma mais-valia, porque os militantes socialistas vivem em sociedade e é importante que possam recolher junto das suas comunidades o que se comenta sobre a vida interna do Partido Socialista.

– E o que se passa no interior do PS é uma luta pelo poder, que começou nas últimas legislativas, com a eleição do candidato a indicar pela Concelhia.
– Não há democracia que não tenha uma participação por contraditórios. E um partido democrático, nos seus processos internos e na afirmação das suas decisões, sempre que o faz recorrendo ao voto democrático, está a cumprir um dos mais nobres preceitos da democracia e a replicar na sua vida interna o processo constitucional.

– Concorda que o PS deve decidir o candidato através de uma sondagem junto dos eleitores do concelho?
– O que quer que signifique isso da sondagem de opinião junto dos bracarenses, entendo que isso são instrumentos de convalidação de trabalho interno do partido e da relação com a sociedade.

[Esta entrevista conjunta ao "Diário do Minho" e à Rádio Universitária do Minho" foi editada a 7 de Janeiro na RUM e a 9 de Janeiro no "DM"].

domingo, 8 de janeiro de 2012

António Braga demarca-se de jogos no PS/Braga:
«NÃO DEFENDO NEGÓCIOS POLÍTICOS»

«Depois de ter expresso a sua disponibilidade para suceder a Mesquita Machado, na corrida às autárquicas de 2013, António Braga assume a necessidade de o PS avançar para um novo ciclo político.
A via para a mudança que propõe passa pela entrega da liderança a novos protagonistas, pela abertura do partido à sociedade civil e pela rentabilização do legado de Mesquita Machado. A clarificação foi assumida numa entrevista conjunta DM-RUM, em que o candidato enfrentou as lutas internas e os acordos desfeitos na luta pelo poder na concelhia de Braga». Eis, em síntese, alguns dos temas abordados por António Braga em entrevista publicada pelo "Diário do Minho" nesta segunda-feira (9 Janeiro). A ler...

BRAGA - CAPITAL EUROPEIA DA JUVENTUDE



António Braga, em discurso directo, sobre a "Capital Europeia da Juventude 2012":

-- «O que posso dizer é que o programa da Capital Europeia da Juventude é muito rico, muito bem conseguido, muito envolvente e as expetativas muito elevadas. E temos de dar o benefício de que esse programa seja concretizado. O efeito final deve ser precisamente esse: projetar Braga como cidade acima da média».

-- «O “timimg” para a conclusão das grandes obras da CEJ 2012 não dá espaço às críticas que já foram feitas pela oposição. Como é possível verificar em outros eventos semelhantes, o que ocorre é, justamente, isso. Pela informação de que disponho, o calendário da Capital Europeia da Juventude está a ser cumprido na íntegra e parece-me que a acusação [de aproveitar as obras da Braga 2012 para fazer campanha para as autárquicas de 2013] é demasiado conspirativa para ser levada a sério».

-- «É muito importante que o centro urbano possa ser povoado com pessoas e com instituições, para que não aconteça em Braga o que tem acontecido em cidades médias europeias, em que o centro fica praticamente raptado por empresas e serviços, e durante a noite fica um deserto onde cresce a insegurança».

[Rádio Universitária do Minho, 08.01.12]

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

CENTRAR O DEBATE NO JOGO DO APARELHO
É ENTREGAR A CÂMARA AO ADVERSÁRIO

Por Maria do Céu Sousa Fernandes

O que é que está realmente em causa nas eleições autárquicas de 2013, em Braga? A resposta a esta questão exige, em primeiro lugar, que se clarifiquem os termos em que se irá disputar o ato eleitoral.
O primeiro dado significativo resulta do facto de o atual Presidente da Câmara Municipal, Eng.º Mesquita Machado, estar impossibilitado, por força da lei, de se recandidatar a novo mandato.
Daí que a situação, no que ao Partido Socialista diz respeito, seja delicada e obrigue a uma reflexão séria sobre qual o candidato melhor posicionado para enfrentar com êxito o desafio de voltar a colocar o Partido ao leme da Autarquia bracarense.
A verdade é que, em regra, a mudança de testemunho levanta sempre enormes dificuldades ao partido no poder, com a agravante, no caso de Braga, de essa ser uma absoluta novidade, pois sempre o Partido Socialista teve no Eng.º Mesquita Machado o candidato natural... e vencedor.
O problema, contudo, agudiza-se quando verificamos que, do lado da coligação “Juntos por Braga”, há um candidato que se vem afirmando ao longo dos últimos dez anos, com tudo o que isso representa em termos de exposição pública, pese embora o seu lado perdedor.
Assim sendo, e caso o Partido Socialista hesite ou opte por uma candidatura menor, o risco de se perder uma Câmara tão emblemática como Braga é real e deve obrigar os socialistas bracarenses a olhar para a questão com muito cuidado.
Hesitar é protelar no tempo uma decisão sobre o candidato. O avanço de dez anos do candidato da coligação, à medida que o tempo for passando, acabará por ser um trunfo inultrapassável, seja qual for a alternativa que se venha a desenhar.
O tempo é já curto para se partir para a corrida em condições de igualdade, mas ainda há tempo para recuperar, desde que se afirme no terreno um projeto mobilizador e um candidato competente.
Optar por uma candidatura menor é escolher o caminho do aparelho ou da passagem do testemunho. O caminho do aparelho será sempre um jogo fechado no interior do partido, sem capacidade de abertura à Cidade e, o que é mais grave, sem possibilidade de vencer.
Pois, como pode aspirar a vencer quem se sustenta apenas na lógica dos instalados? A passagem de testemunho pode ainda ser pior escolha, na medida em que só há um Eng.º Mesquita Machado, e não será uma segunda escolha que irá inverter a tendência de perda que se vem verificando eleição após eleição.
Há, portanto, que arriscar um novo caminho e uma nova ambição. O caminho novo está já no terreno, porque se faz tarde, corporizado na candidatura do Dr. António Braga, a qual responde com eficácia à questão da alternativa.
Em primeiro lugar, pelo curriculum do candidato, sem mácula e pleno de experiência.
Em segundo lugar, pela credibilidade do seu percurso político, com provas dadas nos mais diversos domínios em que se vem destacando, quer como deputado na Assembleia da República, quer como Presidente da Assembleia Municipal, quer como Secretário de Estado das Comunidades, com o que isso significa em termos de experiência e cultura política.
Finalmente, e o que é mais relevante, porque transporta consigo um olhar cosmopolita, que é uma vantagem assinalável numa altura complexa de crise económica e social que atravessa tudo e todos.
Decisiva, porém, é a ambição já apresentada pelo candidato de aprofundar o legado e fazer crescer a Cidade. O manifesto "Braga Braga 2013" começou já a desenhar os contornos do debate que deverá marcar a eleição do próximo Presidente da Câmara Municipal de Braga, rompendo energicamente com alguma passividade programática que tem norteado a disputa política na Autarquia bracarense.
Para lá da personalização da candidatura, há que ter em conta o projeto consubstanciado no manifesto que orienta a vontade das pessoas que, justamente, apoiam o candidato.
Cremos que os sete princípios que edificam o manifesto são essenciais para fazer crescer a Cidade, em participação, em cidadania, em mobilização e em inovação.
A primeira batalha a ganhar, contudo, é interna, na medida em que compete aos órgãos próprios do Partido Socialista a designação do candidato.
Daí que se tenha tornado imperativa a candidatura do Dr. António Braga à Comissão Política Concelhia do PS, articulando a ambição de ganhar a Câmara com a necessidade de convencer o Partido.
Olhando o que está em causa nas eleições de 2013, que é a possibilidade de o PS passar para a oposição por muitos e muitos anos, fica clara a oportunidade de se ter avançado com o movimento "Braga Braga 2013" e a urgência em que tal movimento se enraíze no partido, para mais tarde se enraizar na sociedade bracarense.
Hesitar é dar trunfos aos adversários. Optar por centrar o debate no jogo do aparelho é entregar a Câmara à coligação "de direita".
Apoiar o Dr. António Braga é a alternativa credível e potencialmente vencedora. O primeiro passo passa por dar ao Dr. António Braga a liderança da Concelhia bracarense do Partido Socialista. A palavra final, para isso, pertence aos militantes. Ganhar o Partido para ganhar a Câmara: não há outro caminho de esperança para os socialistas em Braga.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

«QUE A PESSOA ESCOLHIDA SEJA A MELHOR,
NÃO PARA SERVIR O PARTIDO SOCIALISTA,
MAS PARA SERVIR BRAGA E OS BRACARENSES»
-- DESEJA MESQUITA MACHADO

«[Revista SIM] -- Já que não pode candidatar-se novamente, quem gostaria de ver à frente dos destinos da Câmara de Braga?
[Mesquita Machado] -- Gostaria que fosse uma pessoa que viesse exercer o cargo com um grande sentido de missão, com muito amor a Braga e que realizasse um trabalho que fosse do agrado da maioria dos bracarenses. Eu direi que do agrado de todos é muito difícil, mas gostava que fosse o mais consensual possível.
-- As eleições para a Comissão Política do PS/Braga aproximam-se… É capaz de dizer o nome da pessoa que mais lhe agradaria?


-- Eu sou republicano de gema, não sou monárquico. Sou contra as indicações de sucessão… E isto não é a Coreia do Norte, em que eu indicaria quem me iria suceder antes de morrer. Vivemos numa república e, como tal, tenho as minhas opiniões, mas entendo que não as devo revelar, para não exercer uma influência que pode não ser boa. O que eu defendo é que, depois das eleições, a próxima Comissão Política do meu partido, de uma forma livre, proceda à indicação do respectivo candidato. Esperamos que a pessoa escolhida seja a melhor, não para servir o Partido Socialista, mas para servir Braga e os bracarenses».
["O Outro Lado de...", Revista SIM n.º 100, Janeiro 2012]