Por Carlos Ferreira (*)
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A afirmação deixa subentender que, para lá de todas as insanáveis diferenças entre ambos, juntos pensam somar o voto de todos os militantes que hipoteticamente têm estes camaradas como referência.
Recordo que, nos meios afectos ao PS, era uma certeza que os dois vereadores liderariam cada um a sua lista à Comissão Política Concelhia, facto dado por adquirido que, pelos vistos, por razões diversas, não se concretiza.
Ambos se estão a esquecer que, em política, 2+2 não são necessariamente 4!
Como está mais do que demonstrado, em política 2 + 2 pode resultar 1 ou menos que 1, ou seja, a derrota.
Os socialistas têm, aliás, um exemplo recente que demonstra isso mesmo. Nas últimas eleições presidenciais, Manuel Alegre e os seus conselheiros partiam do pressuposto de que o declarado apoio do PS e do BE, associado ao do seu próprio eleitorado,
lhe garantia a chegada à segunda volta e uma possível vitória…
Ora, Alegre ficou por uns escassos 19%, um resultado muito abaixo da soma dos dois partidos e muito aquém dos votos e da percentagem conquistados quando se apresentou sozinho em eleições anteriores.
Isto porque o eleitorado do PS e do BE não é miscível entre si, antes pelo contrário se repudia.
Foi o que aconteceu com algum eleitorado que na primeira candidatura de Manuel Alegre votou nele por se apresentar fora dos partidos políticos e que da segunda vez se afastou, por este se ter apresentado com o apoio de dois partidos políticos.
Estamos convencidos que esta mesma circunstância vai acontecer a esta candidatura de dois rostos, cujos líderes reclamam apoiantes próprios no interior do partido.
É sintomático, aliás, que ambos tenham já insinuado em tempo a corporização de candidaturas alternativas, com projectos e objectivos antagónicos.
Se, por hipótese académica, a lista recentemente apresentada tivesse a
possibilidade de liderar a escolha do candidato do PS à Presidência da Câmara Municipal de Braga, gerar-se-ia no seu seio uma luta fratricida, o que resultaria sempre num candidato fragilizado e num partido dividido sem grandes hipóteses nas Autárquicas de 2013.
Como consta nos meios ditos socialistas, a lista liderada por Vítor de Sousa à Comissão política Concelhgia do PS/Braga será composta por 40% de elementos indicados por si, 40% de elementos indicados por Hugo Pires, sendo os restantes 20% cooptados pelos 80% já indicados.
Esta nova fórmula de conciliar a tentativa de conquistar o poder, se tal se concretizasse, tornaria os equilíbrios muito instáveis e ineficazes, levando a que os apoiantes, quer de uma, quer de outra candidatura, estivessem mais preocupados em vigiar os seus parceiros de lista e a aproveitar a primeira oportunidade para evidenciar o seu líder como o escolhido para candidato à Presidência da Câmara do que propriamente em construir um programa e um projecto válidos e vencedores para a Câmara Municipal de Braga.
É do conhecimento público que o habitual candidato do PSD, o mesmo que perdeu já duas tentativas, deverá ser confirmado pela unanimidade da sua estrutura concelhia como candidato da coligação do PSD com o CDS/PP e com o PPM.
Ora, à falta de outros trunfos, que já demonstrou não possuir, o candidato da direita deve estar mortinho que o PS não se apresente seguro e peremptório na escolha do seu candidato a Presidente da Câmara Municipal, isto aquando da eleição da CPC. Tirará então partido da confusão e da indecisão socialista… Isto, claro, se não estiveres então perante uma vitória clara da lista apresentada por António Braga.
(*) Artigo de Opinião publicada na última página do Diário do Minho de 4 de Abril de 2012.
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